Como a Idomed aceitou uma dissertação em 1ª pessoa?!

Meu Deus! Você viu aquela jovem aprovada em Medicina com uma redação dissertativa argumentativa escrita em 1ª pessoa?! Ela não deveria ter a redação zerada? Ahahaha… de jeito nenhum! Vamos acabar com esse medo agora!

redação em 1ª pessoa
Júlia Pimentel (Instagram pessoal)

A jovem acima é a candidata Júlia Pimentel – ela mesma foi que teve a ousadia de escrever uma redação dissertativa argumentativa em 1ª pessoa numa prova de vestibular!

A prova de redação da Idomed oferecia alguns textos de apoio e a pergunta:

Qual marca da sua personalidade ninguém roubará de você? Por quê?

A candidata respondeu a essa pergunta, contando na redação qual marca da personalidade dela é só dela mesmo.

Ora essa… como ela poderia responder sem usar a 1ª pessoa?!

Pode usar 1ª pessoa na redação dissertativa?

Claro que pode – ela acertou na mosca!

Que sorte que a Júlia não acreditou nessa ideia super repetida de que não pode usar 1ª pessoa na dissertação.

Ela mesma disse em entrevista ao G1:

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“Falaram que eu fiz [o texto] sobre mim mesma. Sim, e eu amei isso. Consegui desenvolver a ideia muito bem. E estou superfeliz de ter feito jovens, mesmo que zoando, estarem falando de redação na internet”.

Pelo que eu soube, ela é influenciadora digital – tá aí, ela influencia, não se deixa influenciar!

primeira pessoa na redacao

Ela não mentiu quando disse que escrever a sua opinião usando a 1ª pessoa é fácil, rápido… sai que é uma beleza!

E não tem nada de proibido em usar 1ª pessoa na dissertação argumentativa, não!

DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA NÃO PROÍBE 1ª PESSOA

DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA APENAS EXIGE OPINIÃO E ARGUMENTOS. SÓ.

DISSERTAR = DAR OPINIÃO E ARGUMENTAR

E por falar em argumentos, agora é minha vez!

Quem disse que pode usar 1ª pessoa na redação?

Vou te dar 4 argumentos que provam que redação dissertativa argumentativa pode ter a 1ª pessoa sim!

  1. Inúmeras vezes a Fuvest pediu a participação do candidato em 1ª pessoa, e esta foi uma das melhores redações em uma das provas dela:

Formadores de virtudes

            O ano de 2002 marca o início de uma nova etapa na minha vida, afinal, atingirei a idade adulta. Durante a infância e a adolescência, fui orientado por várias pessoas que contribuíram de forma importante na minha formação, através de palavras, gestos e atitudes. Refletindo sobre essas pessoas, pergunto-me: quais os meus principais formadores? O que eles já fizeram e ainda têm feito para interferir na minha formação?

            Do ponto de vista religioso, eu e meus familiares buscamos orientação na Igreja Católica, onde fizemos várias amizades. Creio com veemência que as palavras dirigidas por padres e por esses amigos me ajudaram a superar momentos turbulentos, como a morte de parentes. Essas palavras também foram essenciais para a preservação do casamento dos meus pais, o que proporcionou a mim a tranquilidade necessária para que eu conduzisse minha vida de uma forma adequada.

             Além disso, meus pais contribuíram de maneira decisiva na minha educação, através de conselhos e atitudes. Meu pai, manso e paciente, enfrentou dificuldades no trabalho e momentos de instabilidade financeira, mas jamais se desesperou e procurou sempre lembrar a mim e aos meus irmãos que existem pessoas que enfrentam constantemente problemas muito mais graves do que os dele. Minha mãe, por outro lado, é uma mulher lutadora e trabalhadora, que tem na companhia do marido e dos filhos – que são cinco – a maior alegria e que me orientou a lidar com responsabilidade diante dos estudos e a viver com pudor e dignidade a minha sexualidade.

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              Sobretudo, a pessoa mais fantástica com quem pude conviver até hoje é, por incrível que pareça, uma criancinha de quatro anos, que talvez não consiga ler, falar ou andar sem fraldas: meu irmão Lucas. Portador de um grave e raro problema neurológico (a Síndrome de Engelman), Lucas me ensinou, através de sua simplicidade e do seu olhar, a  buscar sempre a superação dos meus limites e a viver com alegria todos os momentos de minha vida. Lucas é uma pessoa na qual eu me espelho muito.

               Dessa forma, vejo que meus professores, amigos e principalmente, orientadores religiosos e minha família procuraram, a todo instante, fazer de mim uma boa pessoa. Estou certo de que as minhas virtudes, ainda que poucas, se devem aos meus formadores e espero continuar contando com essas pessoas nessa nova etapa da minha vida que se inicia neste ano.

E não foi só dessa vez que isso aconteceu não: esta redação também foi uma das melhores em outro vestibular da Fuvest – olha lá a 1ª pessoa numa boa logo na introdução:

Pela catraca invisível e Contra ela

                    O grupo Contra Filé planta uma catraca enferrujada sobre um pedestal e propõe um programa de descatracalização da vida, do qual me é dado julgar a pertinência. Ora, dizer se se justifica a pretensão idealista de escapar aos controles visíveis e invisíveis do sistema (capital, governo etc) é tão difícil quanto o seria em relação a questões como a oposição entre liberdade e sociedade, o ser livre e o pertencer, o ideal e a prática. Sim, o programa justifica-se. Mas por quê?

2. Embora os alunos morram de medo de usar 1ª pessoa na redação do ENEM, esta foi uma das redações 1000 e usou 1ª pessoa do plural num dos parágrafos:

Fica clara, portanto, a necessidade de uma ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando à proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem abusiva da ingenuidade infantil.

Até o momento, o Inep não proíbe uso de 1ª pessoa, pelo menos não consta nada no edital…

3. Nem todos os professores de português falam mal da 1ª pessoa na redação – o professor doutor Gustavo Bernardo, do RJ, escreveu o seguinte na revista da UERJ:

pode usar primeira pessoa na redacao

E olha que ele não escreveu isso hoje ein…

(aliás, os artigos dele são muito bons pra você, não seguem as muitas bobagens que existem sobre redação na internet!)

4. O gênero chamado “artigo de opinião” é uma dissertação – nele se expõe a opinião pessoal de forma muito enfática, e se argumenta. E o artigo de opinião é obrigatoriamente em 1ª pessoa! Sabe o que acontece quando um candidato cheio de medos precisa escrever um artigo de opinião? Ele escreve um artigo de opinião IMPESSOAL! Aí não é mais artigo de opinião… e o artigo fica com a mesma cara de uma dessas redações iguaizinhas que você vê na internet. Olha só este artigo de opinião perfeito da Lya Luft – é longo mas todo aluno gosta:

BALEIAS NÃO ME EMOCIONAM

Hoje quero falar de gente e bichos. De notícias que frequentemente aparecem sobre baleias encalhadas e pinguins perdidos em alguma praia. Não sei se me aborrece ou me inquieta ver tantas pessoas acorrendo, torcendo, chorando, porque uma baleia morre encalhada. Mas certamente não me emociona. Sei que não vão me achar muito simpática, mas eu não sou sempre simpática. Aliás, se não gosto de grosseria nem de vulgaridade, também desconfio dos eternos bonzinhos, dos politicamente corretos, dos sempre sorridentes ou gentis. Prefiro o olho no olho, a clareza e a sinceridade – desde que não machuque só pelo prazer de magoar ou por ressentimento. Não gosto de ver bicho sofrendo: sempre curti animais, fui criada com eles. Na casa onde nasci e cresci, tive até uma coruja, chamada, sabe Deus por quê, Sebastião. Era branca, enorme, com aqueles olhos que reviravam. Fugiu da gaiola especialmente construída para ela, quase do tamanho de um pequeno quarto, e por muitos dias eu a procurei no topo das árvores, doída de saudade. Na ilha improvável que havia no mínimo lago do jardim que se estendia atrás da casa, viveu a certa altura da minha infância um casal de veadinhos, dos quais um também fugiu. O outro morreu pouco depois. Segundo o jardineiro, morreu de saudade do fujão – minha primeira visão infantil de um amor romeu-e-julieta. Tive uma gata chamada Adelaide, nome da personagem sofredora de uma novela de rádio que fazia suspirar minha avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata), nunca entendi como – uma das primeiras tragédias de que tive conhecimento. De modo que animais fazem parte de minha história, com muitas aventuras, divertimento e alguma tristeza. Mas voltemos às baleias encalhadas: pessoas torcem as mãos, chegam máquinas variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis molhados, abrem-se manchetes em jornais e as televisões mostram tudo em horário nobre. O público, presente ou em casa, acompanha como se fosse alguém da família e, quando o fim chega, é lamentado quase com pêsames e oração. Confesso que não consigo me comover da mesma forma: pouca sensibilidade, uma alma de gelos nórdicos, quem sabe? Mesmo os que não me apreciam, não creiam nisso. Não é que eu ache que sofrimento de animal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois de não haver mais crianças enfiando a cara no vidro de meu carro para pedir trocados, adultos famintos dormindo em bancos de praça, famílias morando embaixo de pontes ou adolescentes morrendo drogados nas calçadas. Tenho certeza de que um mendigo morto na beira da praia causaria menos comoção do que uma baleia. Nenhum Greenpeace defensor de seres humanos se moveria. Nenhuma manchete seria estampada. Uma ambulância talvez levasse horas para chegar, o corpo coberto por um jornal, quem sabe uma vela acesa. Curiosidade, rostos virados, um sentimentozinho de culpa, possivelmente irritação: cadê as autoridades, ninguém toma providência? Diante de um morto humano, ou de um candidato a morto na calçada, a gente se protege com uma armadura. De modo que (perdão) vejo sem entusiasmo as campanhas em favor dos animais – pelo menos enquanto se deletarem tão facilmente homens e mulheres.

pode usar 1ª pessoa na redação

E aí? A 1ª pessoa te deixou assustado? Ofendido?

É ou não é basicamente uma dissertação argumentativa?

Sim, eu sei, tem narrativa no meio. Mas a dissertação argumentativa pode ter alguma narrativa, não tem problema – se ela transmite uma opinião e argumentos dela, isso é que importa! Uma redação 100% dissertação é muito difícil de existir.

QUE TAL MEUS 4 ARGUMENTOS ACIMA, EIN?

SÃO CONVINCENTES?

Medo de usar 1ª pessoa na redação – o que fazer?

O que temos a te dizer depois disso é que não existe nenhuma “regra” que proíba alguma coisa numa dissertação argumentativa, a menos que seja explicitada no edital.

Questione seu professor quando ele disser que não pode usar 1ª pessoa na redação. Tenha essa coragem!

A DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA É A PRÓPRIA LIBERDADE DE OPINIÃO.

Liberdade de opinião não aceita regras do que se pode ou não dizer. Ou é liberdade ou não é liberdade.

Mas, e agora que você já aprendeu essa coisa estranha de que não se pode usar 1ª pessoa na dissertação?!

Você já tem medo de usar!

Ah, pois é… medo é dureza… e, sim, pode ter problema se a pergunta for assim direta e você não tiver coragem de usar a 1ª pessoa.

pode usar 1ª pessoa na redação?

O problema é se suas notas estiverem empatadas com outros concorrentes:

naturalmente uma redação que se descole da maioria vai sair na frente.

Fazer o quê, né? É a vida…

E também não tem cabimento uma pergunta como a da prova da Idomed ser respondida num texto impessoal, faça-me um favor, né? Cada um de nós tem sua marca de personalidade!

OU VOCÊ FALARIA DA MARCA DE PERSONALIDADE DOS OUTROS?

Portanto…

…a Júlia fez o que tinha de ser feito, respondeu direitinho a pergunta central da proposta. Quem a criticou por isso é que aprendeu errado.

Só 2 observações super importantes:

  • Leia o edital porque nele pode haver, sim, alguma proibição com relação à redação. As bancas podem proibir o que elas quiserem, mas elas precisam deixar isso claro no edital. Nesse caso a proibição é definida pela banca, não tem a ver com o fato de pedirem uma dissertação argumentativa, entendeu né?
  • Temas que não são perguntas diretas (como a do caso acima) não precisam ser respondidas em 1ª pessoa, lógico; estamos falando de perguntas diretas, ok?

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