50 gêneros de redação (exemplos + chance de cair na prova)

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Assustou? 50 gêneros é bastante ein! Ainda bem que você já encontrou este artigo – é o mais completo que existe e vai te ajudar extraordinariamente nos vestibulares. Respire fundo e vamos a cada um deles…

Começando do zero:

Qual a diferença entre dissertação e gêneros?

A diferença é que a dissertação não é exatamente um gênero!

No dia a dia e nas profissões usamos cartas, e-mails, relatórios, discursos, relatos, bilhetes etc.

A dissertação que você aprende na escola é uma composição que é usada em vários gêneros, entendeu?

(é possível que na faculdade você precise escrever dissertações sim, mas só lá).

No total temos 3 composições, e se você não aprendeu na escola, aqui estão elas:

  1. narração
  2. descrição
  3. dissertação (olha ela aqui!)

Só tem essas mesmo. Praticamente todos os textos e todos os gêneros que existem derivam de uma dessas ou de uma combinação de algumas dessas.

AS 3 COMPOSIÇÕES ACIMA COMPÕEM OS GÊNEROS TODOS QUE EXISTEM!

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Então, na sua vida de profissional e na sua vida diária (mesmo que você não se torne um profissional), você precisará escrever textos de vários gêneros.

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Mas eles se baseiam nas 3 composições que eu citei acima – ficou mais fácil agora, certo?

As 3 composições acima servem para formar os gêneros!

Quem inventou esses gêneros todos não tinha o que fazer…

Ahahahahahah…. não! Ninguém inventou os gêneros para te aporrinhar – a vida exige que se escreva em várias situações diferentes, para pessoas diferentes.

A “DONA” NECESSIDADE INVENTOU OS GÊNEROS.

E pode se preparar porque podem surgir novos gêneros no futuro – nos anos 1990 ninguém sabia o que era um artigo de blog, por exemplo (como este aqui)! De repente era preciso escrever artigos de blog e esse gênero apareceu!

E por que vestibulares pedem diferentes gêneros agora?

Impressão sua: no passado os vestibulares pediam outros gêneros que não dissertação! A própria Fuvest, que hoje está variando os gêneros, já pedia outros gêneros nos anos 1980!

Faz um tempão (décadas) que a Unicamp pede gêneros variados.

A Ufpr faz o mesmo e não é de agora.

VOCÊ É QUE É MUITO NOVO E NÃO TAVA SABENDO…

Mas, sim, o número de bancas que estão decidindo pedir vários gêneros no vestibular aumentou. E tem um motivo pra isso…

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Lembra do que falamos da infeliz tendência de os candidatos (mal orientados) usarem modelos prontos?! Então, as bancas (principalmente do S e SE) tiveram essa ideia de pedir outros gêneros para impedir que os alunos continuem fazendo isso!

As bancas decidiram assim, porque o uso de modelos prontos é ruim para elas – os corretores não conseguem ter certeza de até que ponto o aluno domina a escrita e pode encarar um curso universitário (no qual a escrita será absolutamente necessária). Eles precisavam encontrar outra saída…

Mas tem uma coisa que ninguém está te contando:

90% das vezes gêneros pedidos nos vestibulares derivam da composição “dissertação”!!!

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ENTÃO NÃO É O FIM DO MUNDO!

Se você treinou dissertação até agora, está no caminho certo – ia ter que treinar mesmo para conseguir escrever quase todos os gêneros.

E como fica com os gêneros que não derivam da dissertação?

E AGORA?!

Como saber escrever todos os gêneros?

Você vai saber escrever todos os gêneros (ou pelo menos os mais comuns) do jeito que todo mundo faz: treinando por longo tempo e lendo esses gêneros.

Quando se diz “lendo esses gêneros”, isso significa que você precisa estar exposto a todo tipo de leitura.

Você não pode proibir seus olhos e seus ouvidos de conhecer todo tipo de leitura, ou só ler os livros obrigatórios da escola, porque não vai dar pra escrever os muitos gêneros de repente, em 2 meses antes da prova!

VOCÊ PRECISA PERMITIR A SEU CÉREBRO QUE ELE VISUALIZE TODO TIPO DE ESCRITA, SENÃO ELE NÃO TEM COMO TE AJUDAR!

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(Ler os livros obrigatórios é fundamental, mas não vai te ajudar com todos os gêneros).

O ideal mesmo é aprender a escrever os gêneros variados durante o fundamental II e o ensino médio, tá?

É, meu caro… Mais uma vez, quem tem hábito de leitura sai na frente…

Escrever gêneros é mais difícil que escrever dissertação?

Boa pergunta! Se na sua prova tiver essas duas opções – dissertação padrão e outro gênero -, analise qual é mais vantajoso pra você:

Os outros gêneros (não a dissertação padrão) costumam ser um pouco mais fáceis de se aprender e até de escrever na prova.

Para você ter uma ideia, quando um aluno treina outros gêneros, não são necessárias mais que 2 aulas sobre cada um deles, enquanto a dissertação sozinha leva dezenas de aulas e redações escritas até ficar tudo certinho!

Em outras palavras, vale muito a pena treinar os vários gêneros e não ficar somente na dissertação, tá bem?

Agora… respire fundo que você vai conhecer praticamente todos os gêneros existentes (e saber quais têm mais chances de cair na prova).

Todos os gêneros de redação que é bom saber

Vamos à listona! Alguns gêneros misturam mais de um tipo de composição, ou seja, eles podem se basear em narrativa e ter alguns toques de dissertação, por exemplo.

1. Romance

Esse é um texto looongo, com tempo, espaço e personagens bem definidos. Você deve ter lido algum na escola ou tem que ler algum obrigatoriamente para o vestibular.

Parece uma história real, que pode ter acontecido mesmo (pode ser até baseada em fatos reais!).

É escrito para leitores de vários níveis de instrução: há os chamados “romances de banca de jornal”, não tão elaborados, mais leves de serem lidos; e os romances mais intrincados como estes clássicos:

  • Orgulho e Preconceito, de Jane Austin
  • Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antonio de Almeida
  • todos de Agatha Christie (rainha do romance policial)

O romance usa basicamente a narrativa.

2. Fábula

Esse é um texto que envolve fantasia e não fatos da realidade. Geralmente as personagens principais são animais ou objetos. Serve para transmitir alguma lição de moral.

Alguns alunos acham que fábulas são escritas para crianças, mas eles estão enganados! As coleções de fábulas mais famosas foram criadas milênios atrás por gente como Esopo e La Fontaine (talvez já existissem na boca do povo!) para ensinar princípios de ética e bons comportamentos aos adultos.

(Naquela época longínqua ninguém estava muito interessado em contar histórias para crianças… e se poucos adultos sabiam ler, imagine quantas crianças sabiam…)

A fábula usa basicamente a narrativa.

3Epopeia

Essa é uma narrativa feita em versos. É como se fosse um longo poema contando os feitos de um herói ou as aventuras de um povo.

Epopeias eram bem comuns no passado – você já deve ter ouvido falar de Os Lusíadas, de Luís de Camões, né? É uma epopeia. A Odisseia, de Homero, também era, e A Divina Comédia, de Dante, é uma outra epopeia clássica!

Mas se bobear você já andou lendo uma epopeia moderna, quer ver?

O Senhor dos Anéis, de Tolkien, é uma epopeia moderna, que muitos jovens leram!

A epopeia usa basicamente a narrativa.

4. Novela

Esse é um texto menos longo que o romance, mas ainda assim é longo. Parece mesmo a novela da TV. O personagem passa por uma única situação central (no romance há várias situações que envolvem o personagem central).

A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, você leu, não leu? É uma novela!

Você curte terror, suspense…?

Procure por estas novelas:

  • A Máscara da Morte Rubra , de Edgar Allan Poe
  • O Médico e o Monstro – O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde , de R. L. Stevenson.

A novela usa basicamente a narrativa.

5Conto

É um texto bem mais curto que novelas e romances, rápido de ler (umas 4 páginas em média), geralmente sobre casos do dia a dia, sem muito aprofundamento ou complexidade.

Você não pode viver sem conhecer os contos destes mestres:

  • Lygia Fagundes Telles (“Venha ver o Pôr do Sol” é chocante)
  • Boccaccio (já ouviu falar do famoso Decameron? é uma coleção de contos picantes!)
  • Tchékhov – escreveu mais de 500! Experimente ler “A Dama do Cachorrinho“!

Existe também o conto de fadas, que é também uma narrativa curta, mas sempre baseada em histórias vindas da cabeça do povo e com elementos mágicos. Contos de fadas têm bruxas, varinha mágica… e o final é sempre um “final feliz”! 

O conto usa basicamente a narrativa.

6. Crônica

É um texto leve, informal, ligado ao nosso cotidiano. Muitas vezes faz a gente rir, mas pode também ter um aspecto de crítica social ou de nossos costumes.

Os brasileiros são experts em crônicas de-li-ci-o-sas:

Ao ler as crônicas acima, você verá que não existe aquela estrutura de parágrafos certinhos com conexões certinhas, introduções e conclusões que as redações dissertativas costumam ter. É diferente! (esse é um erro comum entre alunos sem treino).

Independentemente da prova de redação, a crônica é o gênero mais gostoso e rápido de se ler – os alunos concordam.

A crônica usa quase sempre a narrativa mas há crônicas baseadas em dissertação (costumam ser intimistas).

7. Parábola

Qual a diferença entre parábola e fábula?

Pouca diferença, a não ser que na fábula os personagens são seres humanos.

Jesus Cristo (um baita filósofo) ensinava como se deveria viver, através de parábolas. Suas parábolas tinham personagens seres humanos. Ele tinha parábolas que até hoje (2 mil anos depois) são muito conhecidas: “O Filho Pródigo” e “O Bom Samaritano“. Conhece essas?

Entretanto há parábolas que não têm nada a ver com religião! Vou mostrar uma pra você sobre um imperador:

O Pote Vazio

Um imperador, precisando de um sucessor, deu sementes a todas as crianças e disse: “Quem trouxer a planta mais bonita ganhará”. Um menino plantou, regou, mas nada cresceu. No dia final, ele levou seu pote vazio, enquanto outros tinham plantas exuberantes. O imperador o escolheu, revelando que todas as sementes que entregou eram cozidas e não podiam crescer. O menino foi o único honesto. 

  • Moral: A honestidade e a integridade valem mais do que o sucesso obtido por meios desonestos.

A parábola usa basicamente a narrativa.

8Notícia

Ah, esse é um tipo de texto que todo mundo conhece, está em todos os cantos, em jornais e portais de internet, principalmente. A notícia apenas narra, apenas noticia algo, um fato. Ela precisa ser o mais impessoal possível.

Pensando no caso de você ter de escrever uma notícia no vestibular, lembre-se de seguir esta sequência:

  • criar uma manchete
  • no primeiro bloco da sua notícia informar qual o fato, onde ocorreu e quando ocorreu
  • no meio do texto informe quem foi envolvido no caso e até trechos de falas de quem você acha que seja importante (discurso direto, lembra?)

Não faça a estrutura da dissertação argumentativa porque não tem nada a ver! Leia notícias para entender como se escreve uma.

A notícia usa basicamente a narrativa.

9. Reportagem

Esse também você encontra em portais na internet e em jornais e revistas impressos. É um texto escrito para dar detalhes mais aprofundados de algum fato de interesse do público em geral ou de um público específico – e isso é o que faz a principal diferença entre ele e a notícia.

Jornalistas investigativos são bons nessa hora para ir a fundo num caso. E as reportagens podem ter alguma opinião do escritor.

Você já viu documentários na internet? Então: documentários e reportagens são a mesma coisa, mas na prova de redação a reportagem será a opção pedida, já que o documentário costuma ser em vídeo.

Revistas semanais impressas, como Veja e IstoÉ, têm reportagens que costumam ser as chamadas “reportagens de capa”.

2 reportagens de antes de você nascer que ficaram na história:

  • “Operação salva vítimas de infarto agudo”, de Julio Abramczyk
  • “0 sonho de Serra Pelada”, do Ricardo Kotscho.
gêneros de redação
Serra Pelada – fonte: camara.leg.br

Ambas são de jornalistas e foram até premiadas (infelizmente vai ser difícil encontrá-las, mas na internet você tem mais detalhes de cada uma).

A reportagem usa basicamente a narrativa.

10. Apólogo

Um texto parecido com a fábula, mas desta vez os personagens incluem seres inanimados!

Tem um apólogo de Machado de Assis que se chama exatamente “Um Apólogo“! Nele os personagens são uma agulha e um novelo de linha. Eles discutem entre si, como gente, e tem uma lição de moral no final, assim como a fábula. Não é escrito para crianças, não, viu!

O apólogo usa basicamente a narrativa.

11. Anedota

Texto que tem a intenção de provocar riso com um acontecimento engraçado (prosaico), que seria possível no mundo real. É um texto curto, que geralmente envolve algum tipo de trocadilho ou metáfora, que é o que o torna divertido.

Esta é uma anedota contada por um professor:

“Semana passada cheguei na sala e perguntei se todos tinham feito a lição.

Um aluno respondeu: ‘Professora, fiz sim… mas meu cachorro achou tão ruim que comeu.’

Eu não consegui nem brigar, porque ele falou com tanta cara de sério que a sala inteira começou a rir.”

Você já leu os livros da Lei de Murphy?! São recheados de anedotas que têm tudo a ver com seu dia a dia!

A anedota usa basicamente a narrativa.

12. Lenda

Essa é uma narrativa fictícia, que mistura personagens e lugares que podem ser reais, com fatos fantasiosos.

Lendas não são criadas por escritores, elas são criadas por povos desde sempre. Nossos indígenas têm muitas, como as da Iara e a do Curupira.

Em muitos casos, as lendas são explicações que cada povo dá para fatos misteriosos que ocorrem em seu ambiente, e que eles não conseguiriam explicar de outra forma.

Monteiro Lobato foi bravo em incluir muitas lendas de nossos povos formadores brasileiros no Sítio do Picapau Amarelo!

A lenda usa basicamente a narrativa.

13. Mito

Bem parecido com a lenda, o mito se diferencia apenas por tentar explicar fenômenos da natureza. Você já deve ter ouvido falar dos mitos criados pelos antigos gregos…

Para explicar as estações do ano, os gregos diziam que o rapto de Perséfone por Hades fazia sua mãe, Deméter (deusa da agricultura), entrar em luto, cessando as colheitas; seu retorno trazia a primavera e o verão, e isso explicava os ciclos anuais. Para explicar a origem da vaidade no ser humano, eles criaram o mito de Narciso.

O mito usa basicamente a narrativa.

14. Relato pessoal/depoimento

No relato pessoal alguém conta algo que aconteceu com ele ou que ele testemunhou ter acontecido com outros.

Um policial pode pedir que uma testemunha de um acidente de trânsito relate o que viu acontecer. Um turista pode relatar uma viagem que fez a uma cachoeira para que outros turistas decidam se vale a pena ir ou não até lá.

Aqui vai um depoimento de quem diz ter visto um OVNI, no interior de MG:

“Era por volta das 22h quando vi uma luz muito forte no céu. No começo achei que fosse um avião, mas ela não piscava e se movia de forma estranha, fazendo zigue-zague. Em determinado momento, o objeto parou completamente no ar. Fiquei paralisado, com muito medo. A luz mudou de cor, ficou alaranjada, e depois simplesmente desapareceu em altíssima velocidade. Nunca vi nada parecido em toda a minha vida.”

Tem uma infinidade de relatos por aí na internet – deixo pra você pesquisar.

É um gênero até fácil de ser escrito, mas, como sempre, é preciso saber para quem você estará escrevendo (isso define a linguagem que você vai usar) e em qual mídia será divulgado.

O depoimento/relato pessoal usa basicamente a narrativa, mas pode ter toques de dissertação.

15. Biografia

A biografia conta a vida de alguém. Contar a vida é narrar fatos. Você já deve ter lido biografias de famosos ou de grandes gênios da humanidade, não?

Eu adoro biografias e já li estas:

Todos os fatos narrados na biografia estão no passado – lembre-se disso.

(observação: a autobiografia nada mais é que a biografia de você mesmo – da sua vida.)

A biografia usa basicamente a narrativa.

16. Piada

Diferentemente da anedota, a piada tem seu impacto que faz rir no final. O final é inesperado dentro do contexto do que vinha sendo dito. Veja esta:

A professora pergunta:
— Gente, alguma dúvida?

O aluno levanta a mão:
— Professora, eu até tenho… mas acho que a senhora já sofreu o suficiente hoje.

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A piada usa basicamente a narrativa.

17. Relatório

A palavra “relatório” vem de “relato” – olha que pista -, e relatórios são gêneros muito usados em áreas técnicas, como em laboratórios, ou projetos realizados em que é preciso relatar a sequência do que foi feito.

Costuma ser bastante descritivo, quer dizer, ele descreve (relata!) como alguma coisa acontece – pode ser um evento, uma experiência, etc.

O relatório é um gênero usado também em áreas empresariais, e nelas se chama costumeiramente relatório gerencial. Com base nesses relatórios marcam-se reuniões para tomar decisões sobre o fato relatado, por isso o relatório precisa ser minucioso, completo.

Este é um relatório de visita técnica ao Museu de Paracatu, MG.

O relatório usa basicamente a descrição ou a narrativa, dependendo do objetivo.

18. Ensaio

É um texto em que se opina, se mostra um posicionamento, se faz críticas, reflexões…

Muitas redações dissertativas argumentativas têm tudo para ser ensaios, como eu já disse antes. Na prática, qualquer dissertação argumentativa de prova pode se transformar num ensaio sem problema nenhum.

Digo isso porque a marca registrada de um ensaio é não ter pretensão de dar uma resposta definitiva para nada – é apenas um ensaio, e ensaio é provisório. Não tem nota para quanto o candidato sabe do assunto.

Ensaios são bem comuns na faculdade, principalmente em cursos de Humanas, mas os que dominam mesmo o ensaio são os ensaístas!

Conheça o criador do gênero ensaio – o sr. Montaigne, um filósofo renascentista:

gênero ensaio de redação
Montaigne fonte: Wikipedia

E conheça 2 de seus ensaios:

Dos Costumes e da Mudança de Opinião

A alma que não tem um objetivo definido se perde; pois, como se diz, não estar em lugar nenhum é o mesmo que estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

Quando passo muito tempo sem ocupar a mente com algum assunto sólido, sem mantê-la contida e disciplinada, ela própria se lança pelo vasto campo das imaginações e produz tantas quimeras e monstros fantasiosos, uns sobre os outros, sem ordem e sem propósito, que — para observar com calma sua tolice e estranheza — comecei a anotá-los, na esperança de que, com o tempo, ela mesma tenha vergonha disso.

Da solidão

Devemos reservar uma pequena sala nos fundos — totalmente nossa, completamente livre — onde possamos estabelecer nossa verdadeira liberdade e nosso principal refúgio e solidão. Nesse espaço interior, devemos nos acostumar a estar conosco mesmos, tão privados que nenhum olhar ou presença externa ali entre, exceto a nossa.

Nossa alma deve brincar consigo mesma, conversar consigo mesma e se alimentar dessa solidão. Devemos ali conversar como conversaríamos com um amigo — mas um amigo que nunca tememos perder.

Viu como não tinha intenção de dar uma resposta? Era só um ensaio mesmo… uma foto do cérebro pensando!

Portanto, o ensaio usa basicamente a dissertação.

19. Artigo de opinião

Mais um gênero que vem diretamente da dissertação argumentativa. Eu já falei sobre ele antes, então só vou resumir:

  • no artigo de opinião é OBRIGATÓRIO usar primeira pessoa
  • artigos de opinião costumam ser veiculados em revistas semanais, jornais e portais de notícias na internet, portanto a linguagem deles depende do público que vai ler

Evite seguir modelos prontos de dissertação para não engessar seu artigo de opinião. Artigos de opinião com jeito de dissertação feita com modelo pronto e coalhados de conectivos por todos os lados ninguém normal leria numa revista, concorda?

Portanto, o artigo de opinião usa basicamente a dissertação.

20. Manifesto

Este tipo de texto vem da necessidade de um grupo de pessoas (ou uma só, mais raramente) manifestar sua vontade e sua decisão para outras pessoas. Quem o escreve quer convencer esse público, e mobilizá-lo se possível, na direção do que é desejado.

É muito baseado em argumentos – aqueles que você treina na dissertação argumentativa – para alertar ou convencer quem o lê.

É preciso pôr título em Manifestos! Exatamente como este dos médicos brasileiros.

Olha aqui um manifesto que você aprendeu nas aulas de literatura:

genero de redação manifesto

De resto, é livre: não se prenda à introdução-desenvolvimento-conclusão das dissertações padrão, mas sim diga acerca do que está se manifestando, e no final deixe a data e a assinatura dos que o escreveram. (Claro que em provas você não vai assinar de verdade, ein!)

O manifesto usa basicamente a dissertação, mas pode ter toques de narração.

21. Carta

Ao contrário do que dizem por aí, a carta não deixou de existir com o advento do e-mail! Se não existisse mais, os vestibulares não pediriam carta, não é mesmo? Pensa bem…

Cartas são enviadas por correio para pessoas próximas, conhecidas, mas também para empresas, jornais e revistas, programas de TV ou rádio, e representantes da administração pública.

Os juízes enviam cartas e intimações a partes de um processo (pessoas envolvidas) por correio, e isso é bem comum – é preciso colher assinaturas importantes.

Elas são de vários tipos:

  • reclamação
  • agradecimento
  • congratulações
  • pedido
  • convite
  • do leitor
  • troca de ideias

Mário de Andrade escrevia cartas a Tarsila do Amaral. Abraham Lincoln escrevia cartas a Karl Marx.

Aqui está uma carta de Clarice Lispector a Fernando Sabino em 1956:

gênero carta na redação

Não precisa escrever o dia da semana no cabeçalho, mas o resto do cabeçalho precisa!

E esta agora é uma carta formal, enviada por um deputado para um instituto:

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genero carta formal

Muito cuidado nessa hora: a linguagem que você deve usar varia dependendo de quem vai ler a carta! Pelamordedeus, não vá escrever uma carta a um amigo parecendo uma redação de ENEM!!!

A carta pode usar dissertação ou narrativa como base, dependendo do objetivo. O mais comum é que ela use a dissertação como base, já que nesse caso se pode analisar a argumentação do aluno (em vez de uma dissertação-padrão).

22. Carta aberta

É uma carta, como você viu acima, mas desta vez ela não seria enviada pelos Correios, em envelope fechado, e sim publicada num jornal impresso ou num portal de notícias. E é claro que se dirige a um público ou parte dele, não a uma pessoa somente.

Por ser aberta, ela não tem nenhuma informação privada, lógico. Costuma servir para reivindicar algo ou deixar claro à população alguma atitude ou decisão do grupo que escreve.

Tem uma carta aberta bem interessante, escrita pelos Yanomami há uns 30 anos!

E tem esta carta aberta bastante forte, do pessoal que trabalha com segurança pública.

A dúvida mais comum é se se deve pôr data na carta aberta: não, nem data nem local. Mas é bom pôr um título, do tipo “Carta aberta da população a Rede Globo de televisão”.

A carta aberta usa basicamente a dissertação

23. E-mail

É um derivado da carta, não tem dúvida, mas o e-mail não precisa que você escreva data, já que se trata de um meio eletrônico que já inclui a data automaticamente.

Então se for pedido um e-mail você não precisará escrever local ou data, e sim a mensagem e sua assinatura. De resto, é como escrever uma carta, igualzinho. Linguagem formal ou informal, dependendo de quem recebe o e-mail.

O e-mail pode usar dissertação ou narrativa como base, dependendo do objetivo. O mais comum é que use a dissertação como base, já que nesse caso se pode analisar a argumentação do aluno (em vez de uma dissertação-padrão).

24. Telegrama

Uma grata surpresa é esse gênero: uma mensagem curta que pode ser enviada até para quem não tem telefone nem internet!

Sim, isso existe!

Imagine que existe desde meados do século XIX – quando ainda estávamos sob o Segundo Império!

Os Correios cuidam disso: basta resumir bastante a mensagem (a cobrança é por página, mas até há pouco tempo era por palavra!), que geralmente é urgente, e o telegrama é enviado para o endereço do destinatário em até 4 horas.

Bacana, né?

Este é um telegrama, que foi usado numa prova da Unicamp:

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Viu só? 5 palavrinhas apenas na mensagem!

O telegrama é um resumo do que pode ser uma narrativa ou descrição.

25. Memorial

Esse é um subtipo do gênero “autobiografia”. Nele o autor faz um recorte de uma trajetória dele, e não foca na vida toda.

Por exemplo, um memorial de um professor contaria como foi sua formação acadêmica, desde quando aprendeu a ler, passando pelas primeiras experiências no ensino, e contando os casos que marcaram sua vida profissional!

Qualquer profissional com algum tempo de carreira pode ter um memorial!

Memoriais costumam ter muitas reflexões sobre as experiências, os aprendizados… o que toda aquela trajetória significou para a pessoa. E tudo é contado com verbos no passado.

Dê uma olhada no livro Infância, de Graciliano Ramos – é um belo memorial, embora não venha com esse nome! Nele o autor conta exatamente como foi sua infância.

E existe também o memorial de um povo ou uma comunidade – afinal eles também têm suas trajetórias. Já ouviu falar de José Saramago, né? Ele escreveu o Memorial do Convento, contando como foi o projeto do convento de Mafra, em Portugal.

(Na construção civil existe o memorial construtivo, que é um texto que descreve tudo que foi utilizado numa obra desde seu início até o término.)

O memorial usa basicamente a narrativa mas pode ter toques de ensaio.

26. Diário pessoal

É sempre um tipo de texto intimista, relatando experiências, sentimentos, pensamentos, sempre em primeira pessoa.

A intenção de quem escreve um diário é que ele fique em segredo (mas tem exceções!). A linguagem é espontânea, sem formalidades. Em outras palavras, quem está escrevendo o diário está escrevendo para si próprio.

(Há diários comprados em papelarias que vêm com chave!)

Cada trecho de diário pessoal precisa ter uma data logo no início.

Você já ouviu falar do diário da menina Anne Frank? Um trechinho dele:

diario é genero de redaaco

Essa menina judia viveu a Segunda Guerra escondida no sótão de um prédio na Holanda.

Por falar em Segunda Guerra, pode existir um diário pessoal escrito para informar as gerações futuras do que se passa hoje. O clássico É isto um homem?, de Primo Levi, é um diário escrito durante a permanência de Levi num campo de concentração durante a Segunda Guerra.

Claro que ele o escreveu para transmitir às novas gerações os absurdos que o ser humano pode perpetrar contra sua própria espécie. (É bem chocante mas vale a pena ler!).

O diário pessoal usa qualquer tipo de composição, mas predominam a narrativa e a dissertação mais parecida com ensaio.

27. Anúncio classificado

Você já vendeu alguma coisa? Talvez no marketplace do facebook…

Se sim, sabe fazer um anúncio classificado: um texto curto que é inserido em jornais, revistas ou portais de classificados na internet. Os anúncios servem para vender, comprar, alugar, trocar produtos, anunciar vagas de emprego – qualquer necessidade que se tem.

A linguagem precisa ser de fácil compreensão para o público-alvo, sem rebuscamento, direta e objetiva.

Os anúncios precisam incluir algum tipo de contato para o interessado, que pode ser e-mail ou telefone.

Veja alguns de quando ainda não existia a internet:

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noticia é genero de redacao

Anúncios classificados usam quase sempre descrição como base.

28. Anúncio publicitário

Geralmente é um texto curto que acompanha uma imagem. A intenção é convencer o público a comprar um produto ou serviço, mas pode ser com outra finalidade também – veja este:

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Legal né?

Você e seus familiares já compraram muita coisa só de verem anúncios publicitários!

A linguagem é muito típica (chama-se linguagem conativa), com verbos no imperativo (compre, ligue) e muita criatividade.

A criatividade no texto costuma ser obtida por uso de metáforas, simbolismos, trocadilhos, aquelas figuras de linguagem que você estuda no ensino médio. Especialmente o chamado “slogan” tem uma linguagem impactante e criativa ou bem-humorada.

Anúncios publicitários usam um pouco de cada composição, dependendo do efeito que se quer ter sobre o público

29. Artigo de blog (post)

Artigos de blog são feitos para o meio digital, como você sabe, então têm linguagem sem formalidades, geralmente. Eles se parecem um pouco com o diário pessoal, mas também podem ser informativos.

Os temas são infinitos, quase sempre em torno de experiências pessoais e profissionais. São muito conhecidos os blogs de viagens, como o Preciso Viajar!

Costumam também incluir imagens e espaço para comentários dos leitores.

Este aqui que você está lendo é um blog sobre redação para vestibulandos e concurseiros.

Artigos de blog usam todo tipo de composição, mas predominam dissertação e narrativa.

30. Entrevista

Poucos alunos treinam esse gênero, apesar de ele ser tão comum. Uma entrevista é praticamente um texto em diálogo, afinal tem-se o entrevistador e o entrevistado. Certamente você já leu entrevistas!

Pode ser sobre mil coisas, de acordo com o entrevistado, que pode contar algum momento de sua vida, ou pode falar o que acha de um assunto do momento. Normalmente é um texto criado por jornalistas e a entrevista é feita pessoalmente ou por video chamada.

Primeiro o entrevistador rabisca perguntas e a entrevista é gravada. Depois o entrevistador transfere tudo para o papel.

Aí é que vem o mais importante de você lembrar: a linguagem do entrevistado, e que você vai pôr no papel, é a mesma que o entrevistado usou!

genero de redacao entrevista
Gloria Maria entrevista Mick Jagger em 1984
genero entrevista redacao
Jô Soares entrevista Dinho, dos Mamonas Assassinas em 1995

Um jogador de futebol tem uma linguagem diferente de um juiz, diferente de um humorista, diferente de um criminoso.

ISSO FAZ TOTAL DIFERENÇA NA PROVA!

Estou te dizendo que não é para você escrever a entrevista inteira como se fosse uma única pessoa que estaria dizendo tudo aquilo! Entre na pele do entrevistado.

(Além do mais, se o entrevistado souber que suas palavras foram alteradas depois, vai ficar muito bravo…)

A entrevista também inclui detalhes sobre como o entrevistado reagiu, por isso você encontra trechos entre parênteses do tipo “risos”, “mostra preocupação”, “fica em silêncio por uns segundos”. São informações importantes, e lembram um pouco os textos para teatro, que eu vou explicar mais abaixo – interessante, né?

Só pra você ter uma ideia de uma entrevista (se você não é do tipo antenado, que lê por hábito), aqui vai uma com o Dr. Rey, médico de celebridades nos EUA, nascido em São Paulo.

Entrevista usa como base a narrativa, com um jeito de relato ou de peça teatral.

31. Verbete

Verbete é um gênero que só existe em dicionários ou registros escritos. Quando você procura no dicionário o significado de uma palavra, aquela palavra e tudo que vem depois dela se chama verbete!

Pode parecer impossível, mas já caiu em prova de redação – veja esta prova da Unicamp de 2012:

generos que caem na unicamp

O verbete se baseia em descrição, obviamente focada no sentido da palavra em questão.

32. Resumo

Alunos devem saber bem o que é um resumo – fazer resumo de um tópico é uma das formas eficientes de memorizar tudo para a prova!

Fazer um resumo é o mesmo que “dissecar” um texto, de forma que sobre apenas a ideia central, a intenção do texto. No resumo não vão exemplos, não vão opiniões de quem faz o resumo.

Existem por aí resumos de livros obrigatórios de vestibular – eles devem conter o básico do livro, o enredo em si.

O resumo usa basicamente o que o autor do texto original usou – se foi uma dissertação será um resumo baseado em dissertação, se foi uma narrativa será baseado em narrativa, se foi uma descrição será baseado em descrição.

33. Síntese

A síntese é um resumo, mas com palavras de quem faz o resumo – é uma paráfrase! E como é uma paráfrase, cabe mais opinião, parecer, de quem resume. Não se assuste se resultar num texto com uma visão crítica de quem faz a síntese!

O longo romance Os Miseráveis, de Victor Hugo, pode ser sintetizado assim:

“Os Miseráveis, de Victor Hugo, narra a saga de Jean Valjean, um ex-presidiário que busca redenção na França do século XIX após ser condenado por roubar um pão, sendo implacavelmente perseguido pelo inspetor Javert. A história entrelaça suas lutas com as da trágica Fantine, sua filha órfã Cosette, o revolucionário estudante Marius e outros personagens, explorando temas como justiça, amor, sacrifício e a miséria social na Paris pós-Revolução Francesa, culminando nos tumultos de 1832 e nas barricadas estudantis. “

(livro monumental e sensacional pra quem gosta do tema!)

A síntese se baseia numa descrição ou numa narrativa, em forma de paráfrase do texto original, mas ela também terá um jeito de dissertação na hora da análise!

34. Sinopse

A sinopse é um resuminho de uma obra de arte, geralmente um filme, um livro, uma peça de teatro, algo do tipo. Serve para convencer o público a conhecê-la.

Nesse resuminho há um pouco do enredo de uma obra, dos personagens centrais e do conflito da história, mas nada de dar spoilers do final! 

Não confunda com um resumo: a sinopse conta só o básico do básico e usa uma linguagem quase que publicitária no sentido de fazer surgir curiosidade no leitor (ou fazê-lo desistir de ver a tal obra de arte).

Dá uma olhada aqui para ver várias sinopses de filmes!

A sinopse usa basicamente a narrativa

35. Nota de esclarecimento

Como o próprio nome diz, uma nota de esclarecimento só é escrita para esclarecer algum fato ou texto anterior que deixou dúvidas no ar e que precisam ser dirimidas (desfeitas).

Por isso ela depende totalmente daquilo em que ela se baseia.

Pode ter formatos variados, mas precisa citar o fato que levantou dúvidas e explicar o que precisa ser explicado. Esta nota, por exemplo, foi emitida pelo Governo do Brasil depois que o jornal O Estado de S. Paulo publicou um certo texto (do qual o Governo discordou):

nota de esclarecimento genero

Uma nota de posicionamento pode ser enquadrada neste item, porque é bem semelhante. Esta você deve ter visto por aí:

genero de redacao nota

A nota de esclarecimento baseia-se quase sempre em contra-argumentação, quer dizer, em esclarecimentos que demonstram falhas em alguma argumentação ou informação de alguém. Portanto ela se baseia na dissertação argumentativa.

36. Editorial

Só empresas de mídia publicam editorial. Você vai encontrar editoriais em jornais impressos, revistas, canais de TV (principalmente telejornais) e portais de notícias na internet.

Quando você disserta numa prova, você está dizendo o que acha de um fato, não é isso? Pois então: uma mídia usa o editorial para dizer o que ela acha de um fato!

O detalhe é que o editorial deve usar a primeira pessoa “nós” exatamente porque é a opinião de um grupo, não de uma pessoa só. Então se você tiver de escrever um editorial, precisa fazer de conta que você é uma mídia (não uma pessoa).

aqui vai um editorial da Revista Veja que vale a pena você ler por completo. Nele você vai entender que tem uma argumentação, mas não tem aquela “cara” cristalizada de redação dissertativa aprendida no colégio. Veja que a conclusão é diferente, e a introdução cita exatamente o fato que levou a revista a dizer o que pensa.

O Editorial se baseia em dissertação, principalmente a argumentativa.

37. Comentário

O que você faz quando comenta algo?

Você diz o que acha desse algo.

Comentários são como dissertações argumentativas – é o que você pensou!

São textos menos formais que uma dissertação, afinal geralmente se comenta em redes sociais, por escrito, então não existe a preocupação com introdução, desenvolvimento e conclusão do jeito que se usa na dissertação padrão.

Mas é claro que ao comentar é preciso dizer sobre o que se está comentando, e é preciso concluir o texto brevemente. No meio do comentário vão seus argumentos, ou seu parecer, ou suas considerações – o que você precisa comentar!

Hoje se comenta muito em redes sociais, mas o ser humano sempre fez seus comentários… olha só:

genero de redacao comentario

Nem vou deixar outros exemplos aqui, porque você já deve ter visto muitos comentários por aí e já fez alguns também.

O comentário se baseia em dissertação argumentativa..

38. Tratado

Esse é um tipo de acordo formal entre dois países, duas organizações internacionais, geralmente, estabelecendo regras que ambos devem seguir. Tem um jeito de leis que regulam comércio, comportamentos de paz ou direitos humanos.

Na área acadêmica (faculdade) também há tratados, e nesse caso são estudos aprofundados sobre um tema, geralmente de ciências ou filosofia.

Você gosta de História? Se sim, deve se lembrar do Tratado de Versalhes, de 1919: ele marca o fim da Primeira Grande Guerra, e impos duras condições à Alemanha, que teve de pagar reparações bilionárias e ceder territórios:

manifesto na redacao

É um calhamaço com mais de 250 páginas!

Tem também um tratado sobre ciências ocultas, astrologia (gosta do assunto?)!

É sempre um texto formal e usado apenas nas áreas que eu citei acima.

O tratado se baseia em descrição quase sempre (é o caso da Botânica).

39. Resenha crítica

Você já pode ter decidido assistir a um filme depois de ler uma resenha crítica dele: a resenha crítica é uma breve avaliação de uma obra, que pode ser um livro ou um filme, por exemplo.

Primeiro, é preciso resumir a obra (brevemente) e, segundo, é preciso acrescentar alguma opinião sua.

Sua opinião sincera pode ser positiva ou negativa, e pode comparar a obra com outras até do mesmo autor. Se quiser arrasar com sua resenha crítica, aproveite para usar a obra para relacioná-la com o contexto histórico-social contemporâneo a ela!

Veja a resenha deste filme pra ver se vale a pena assistir!

A resenha crítica usa como base a narrativa e também a dissertação!

40. Abaixo-assinado

Você já deve ter visto um! Um abaixo-assinado é um documento assinado por muita gente, pedindo pedindo uma decisão de alguma autoridade, ou reclamando contra a decisão dela.

Talvez seus professores nunca tenham te contado, mas você pode enviar uma ideia de lei a ser criada para a Câmara de Deputados ou para o Senado! Nada mais é que um abaixo-assinado, que exige milhares de assinaturas para seguir em frente!

Veja vários abaixo-assinados de uma só vez (quem sabe você queira assinar algum!).

(Olha que fofo: um garotinho do PR escreveu um abaixo-assinado cheio de assinaturas de famosos pedindo um cachorro pra mãe!)

O abaixo-assinado é baseado na dissertação argumentativa

41. Campanha comunitária

Você já deve ter visto campanhas comunitárias. São aqueles textos que informam a população, conscientizam a população… enfim, são baseados em algum interesse de todos para que se chegue a alguma solução ou se tomem algumas precauções.

Geralmente são cartazes afixados nas paredes ou murais, em outdoors, em revistas e jornais e na internet. E é bem comum que venham com alguma imagem.

Você já pode imaginar que a linguagem precisa ser clara, direta, para que todos entendam imediatamente.

Esta é uma campanha comunitária de Vargem Grande, SP:

generos de redacao

Como dá para ver, a linguagem é conativa, quer dizer, tem a intenção de mobilizar, mudar comportamento, influenciar. É uma linguagem praticamente publicitária, e que pode também brincar com as palavras (sentiu o trocadilho do título?) para atrair o leitor.

Mas uma campanha também pode conter argumentação, porque visa a convencer o público a fazer algo. Foi o que esta prova da Unicamp de 2017 pedia:

A campanha comunitária pode ter toques de narrativa ou de descrição, e até alguma argumentação subentendida, mas tudo isso bem sutilmente.

42. Manual/receitas culinárias

Esse é um tipo de texto chamado de injuntivo, que é um texto usado para dar orientações. Certamente você já viu quando comprou um equipamento (se é que você leu as instruções…).

Eles estão por toda parte!

Olha só esta receita maravilhosa que você pode fazer depois que ler este artigo:

genero de redação injuntivo

Mmmm…. É um texto injuntivo delicioso!

O texto injuntivo (manuais, receitas, bulas) usa como base a descrição de processos.

43. Textão de internet

Esse não é bem um gênero, mas resolvi incluir aqui pra te explicar (porque já caiu na prova).

Você precisa saber – isso sim – qual o objetivo dele!

Geralmente é um comentário sobre a opinião de outros, ou sobre um fato polêmico.

Mas eu disse “geralmente”!

Pode não ser sobre a opinião dos outros ou sobre um fato polêmico, e você precisa atentar para o objetivo dele! Por isso ele não é exatamente um gênero, é mais um formato usado na internet.

É um texto sem preocupação com parágrafos (por isso é cansativo de ler), em que tudo vai para o papel meio atropelado. Essa é a marca registrada dele.

O textão de internet costuma ser baseado em dissertação argumentativa, mas pode ter traços de relato pessoal e narrativa.

44. Texto científico

Esse é um tipo de texto para divulgar resultados de pesquisas científicas dentro do grupo de estudiosos. Não é comum ele usar a primeira pessoa e segue muita formalidade na linguagem e no formato visual.

A linguagem costuma ser técnica, quer dizer, específica da área do texto (medicina, farmácia, agronomia etc).

O formato segue normas da ABNT.

Olha este aqui sobre tempo de telas e sono em adolescentes!

O texto científico usa como base uma mistura de dissertação e descrição.

45. Discurso

gênero discurso de redacao

Um dia, quem sabe, você escreverá o discurso de sua formatura! Sim! O discurso é um texto escrito para ser lido em voz ALTA, e isso faz toda a diferença entre ele e outros gêneros!

Discursos são usados em faculdades, mas também há os discursos políticos, ou os discursos em agremiações, em funerais e em comemorações variadas.

Tem o famoso (e longo) discurso de Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição de 1988!

E tem o belo discurso de formatura do Colégio Naval!

Inspire-se neles!

Em discursos sempre cabem

  • recordações carinhosas
  • menções a gente que foi importante no processo
  • músicas e poemas que têm tudo a ver com o momento
  • brincadeiras para a plateia rir (dependendo do discurso, claro!)

E a linguagem é aquela que agrada ao público (nada de chatice nessa hora, por favor).

Por isso, foque no público!

O discurso é baseado principalmente em narrativa, mas pode conter traços de relatos pessoais.

46. Palestra

De novo um texto feito para ser lido em voz alta, mas que pode vir a ser arquivado para leitura na forma impressa.

Há uma infinidade de objetivos de uma palestra, não é possível citar todos aqui. Vou deixar uma do professor Clóvis de Barros sobre ética e felicidade. Está em vídeo, mas observe que ele escreveu a palestra para então palestrar (senão ele esqueceria o que tinha de dizer!).

Portanto, para escrever uma palestra, você obrigatoriamente terá de ler em voz alta cada trecho para ver o efeito que teria sobre a plateia. Senão, sua palestra ficará com cara de redação de ENEM – e a plateia vai dormir.

genero de redacao palestra

Diferença entre discurso e palestra: discurso é mais envolvente, intenciona tocar emocionalmente o público; palestra é como uma aula, técnica, intencionando instruir uma plateia sobre um assunto.

A palestra se baseia em dissertação mas é claro que pode incluir narrativa, o palestrante é que decide.

47. Texto prescritivo

Esse é o texto que dá instruções de  procedimentos obrigatórios. É típico de leis, regras em geral, contratos, e bulas de medicamentos.

Pode incluir informações sobre punições no caso de desobediência ou sobre consequências que trazem riscos.

Você já dirige? Aqui estão as regras de trânsito vigentes no Brasil – um texto prescritivo.

As receitas médicas também são textos prescritivos: elas prescrevem procedimentos a serem realizados para recuperação do doente.

O texto prescritivo é baseado em descrição (de atitudes, comportamento, e procedimentos).

48. Dramático (teatro)

Esse gênero é escrito para ser encenado, não somente lido. Ele é cheio de diálogos e algumas informações sobre o cenário. É uma narrativa, sim, mas sem narrador!

Textos de teatro são divididos em atos – imagine aquele momento em que a cortina se fecha… é o fim de um ato!

Os gregos são considerados os criadores do teatro do jeito que conhecemos hoje. Eles tinham textos de 4 tipos:

  • comédia – casos do cotidiano mostrados de forma divertida
  • tragédia – casos sérios do cotidiano
  • tragicomédia – mistura dos dois tipos acima
  • farsa – casos do cotidiano mostrados de forma exagerada ou absurda para fazer rir

Há alguns clássicos universais que vira e mexe são encenados nas principais cidades do país:

  • Uma casa de bonecas, de Henrik Ibsen,
  • Esperando Godot, de Samuel Beckett
  • Romeu e Julieta, de Shakespeare
  • A falecida, de Nelson Rodrigues
generos de redacao que nunca cairam
Encenação de Esperando Godot, pelo Druid Theater

Observação: Alguns estudiosos consideram as histórias em quadrinhos um gênero, mas aqui eu vou incluir as histórias em quadrinhos na categoria de “teatro”. Os quadrinhos são como os textos dramáticos: é feito de diálogos e pontualmente há alguma descrição importante para a história.

O texto dramático se baseia em narrativa – vívida, em que você presencia os fatos.

49. Texto de divulgação científica

Esse é um tipo de texto que no fundo se enquadra em “reportagem”. Seria uma reportagem divulgando um avanço científico mas sempre para o público leigo (diferentemente do texto científico do item 44, acima).

E se é um texto para o público leigo, então já viu né? Linguagem acessível, por favor! (acessível mas não coloquial). Veja este texto de divulgação científica sobre astronomia:

Telescópio James Webb detecta moléculas essenciais à vida em planeta fora do Sistema Solar

Cientistas usando o Telescópio Espacial James Webb, da NASA, conseguiram identificar pela primeira vez moléculas importantes para a vida na atmosfera de um planeta fora do Sistema Solar. O planeta, chamado K2-18 b, está localizado a cerca de 120 anos-luz da Terra e pertence a uma classe conhecida como sub-Netunos, maiores que a Terra, mas menores que Netuno.

As observações revelaram a presença de metano e dióxido de carbono em sua atmosfera. Essas moléculas são consideradas fundamentais porque, na Terra, estão associadas a processos químicos ligados à vida. Além disso, os cientistas encontraram indícios de vapor de água, o que reforça a hipótese de que o planeta possa ter condições favoráveis à existência de oceanos.

Segundo os pesquisadores, o James Webb é capaz de analisar a luz das estrelas que atravessa a atmosfera dos planetas, permitindo identificar quais substâncias químicas estão presentes. Essa técnica representa um avanço significativo na busca por mundos potencialmente habitáveis.

Os cientistas alertam que a presença dessas moléculas não significa que exista vida no planeta, mas indica que ele possui características que merecem ser estudadas com mais atenção. A descoberta abre caminho para novas pesquisas e mostra como o telescópio está ampliando nossa compreensão do universo.

generos de redacao
Telescópio James Webb, foto da Nasa

O texto acima foi traduzido de forma adaptada daqui: Webb Discovers Methane, Carbon Dioxide in Atmosphere of K2‑18 b — NASA Press Release

Acho que não ficou dúvida, né?

O texto de divulgação científica é baseado em descrição (de processos, geralmente).

50. Podcast

Podcast é aquele áudio parecido com programa de rádio, que você ouve na internet, na hora que você deseja (não é ao vivo).

O assunto do podcast é infinito! Tem sobre tudo!

Tem entrevistas, comentários do locutor, narrativa de um caso ou história…

Claro que ele precisa de um texto escrito, senão o locutor não vai saber bem o que falar… Este, por exemplo, da Unicamp de 2020, pedia o seguinte:

genero podcast

Agora, pensa: se o podcast é para ser veiculado em forma de áudio, então o texto-base dele precisa ser escrito para agradar aos ouvintes. Mais uma vez não tem cabimento fazer um texto com cara de redação de ENEM nessa hora…

E como ninguém vai “ver” o texto-base de um podcast, o formato dele não é prioridade, quer dizer, dividi-lo em parágrafos já é o suficiente, para facilitar a vida do locutor. Você precisa é focar na linguagem ideal e criar o conteúdo que se pede.

Tá aí outro gênero que não existia uns 25 anos atrás!

O podcast tem base variada – narrativa, dissertação argumentativa principalmente.

Dicas preciosas para qualquer gênero que cair!

A primeira dica: treine dissertação argumentativa.

90% de chance de cair um gênero que a usa como base. Vai por mim…

A segunda dica: seja o que for que te peçam, responda a estas 3 perguntas antes de fazer o rascunho:

  1. quem vai receber a mensagem? para quem você vai escrever?
  2. onde a mensagem vai ser inserida? qual o veículo que ela usará?
  3. qual o objetivo da mensagem? para que você vai escrever?

Se você souber essas 3 respostas, pode cair o gênero que for, você já tem meio caminho andado! Funciona assim:

  1. Quem vai receber a mensagem?

Escrever para uma plateia de pais de alunos exige uma linguagem diferente de escrever um email para um amigo que você não vê há anos…

diferente de escrever uma entrevista com um conhecido funkeiro para um blog…

diferente de escrever um artigo ensinando jovens a fazer pulseirinhas de barbante…

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É EXATAMENTE NESSE MOMENTO QUE VOCÊ VAI DEFINIR A LINGUAGEM CORRETA!

2. Onde a mensagem vai ser inserida?

Ela será enviada em carta pelos correios?

Ou se transformará numa peça de teatro?

Ou se transformará num poster para ser afixado em estações de trem e metrô?

Ou será a primeira página de um jornal impresso?

É EXATAMENTE NESSE MOMENTO QUE VOCÊ VAI DEFINIR O “JEITÃO” DO TEXTO NO PAPEL – A ESTRUTURA!

3. Qual o objetivo da mensagem?

Seu texto serve para mobilizar uma comunidade no sentido de pedir instalação de postos de saúde?

Ou será um agradecimento pela presença de convidados na celebração de aniversário de um clube?

Ou será um desabafo do que você tem passado na vida (e que ninguém pode ler)?

Ou será sua opinião sobre um acontecimento na sua escola que te emocionou muito?

É EXATAMENTE NESSE MOMENTO QUE VOCÊ VAI DEFINIR O CONTEÚDO DO TEXTO!

Guarde esses 3 itens no fundo do seu coração – serve para todos (TODOS) os gêneros!

Mesmo assim fique atento porque pode aparecer algum complicador…

Como cada banca pede gêneros…

A banca pode pedir um gênero de forma clara, ou sem citar o nome do gênero!

Vou mostrar uns exemplos da Unicamp e da Ufpr para você entender, só porque são duas universidades que seguem esse estilo de prova há muitos anos, mas vale para qualquer faculdade.

Exemplo 1:

A Unicamp deu uma notícia como base para que o candidato criasse uma narrativa em 2000:

generos de redacao ufpr

E narrativas podem ser em 1ª pessoa, em 3ª pessoa ou com um narrador onisciente! (isso você aprende nas suas aulas de literatura). Pode ser que a banca decida qual ponto de vista você deve usar, mas também pode ser que isso fique a seu critério.

Então você precisa pensar (e rápido) se sua narrativa fica melhor na 1ª pessoa, na 3ª pessoa ou com narrador onisciente – os efeitos são diferentes!

Exemplo 2:

A banca pode pedir uma síntese, que os alunos acham até fácil. Mas essa síntese pode conter um complicador: exigir a comparação de dois ou mais textos! Foi o que a Unicamp pediu em 2015:

generos que caem na unicamp

Portanto o candidato precisaria mostrar que sabe comparar ideias entre si antes de sintetizá-las! É um exercício de compreensão de texto embutido na redação.

É comum a Ufpr nem mencionar o nome do gênero a ser usado! E aí… você vai usar as 3 dicas que eu dei anteriormente e vai se sair bem, vestibulando esperto! Veja este caso:

Exemplo 1:

redação unicamp generos

Pensa bem: é ou não é uma dissertação argumentativa?!

É A PRÓPRIA!!

(Quem domina a escrita não precisa saber o nome do gênero).

Exemplo 2:

Veja o que foi pedido nesta prova e imagine de qual gênero se tratava:

generos da unicamp

De novo é uma dissertação argumentativa, mas desta vez o aluno só precisa criar a conclusão! Diferente, né?! Mas não tem como escapar: o aluno precisa ter domínio da dissertação argumentativa para não errar.

Exemplo 3:

E olha só esta prova da Ufpr de 2008 – qual gênero está sendo pedido?

todos os generos de redacao

Se é para expor a opinião de outra pessoa, usando o discurso indireto, trata-se de um resumo!

Então o que você aprendeu aqui?

Que além de saber escrever em vários gêneros, você precisa ter habilidade de compreensão de texto desenvolvida.

Conclusão…

  • gêneros são quase infinitos
  • se você lê tudo que aparece na sua frente, nada vai te assustar na prova
  • para qualquer gênero é preciso saber para quem se escreve, onde vai ser veiculado o texto e o que vai se informado
  • os gêneros são fáceis de se aprender, mas precisam de treino porque as bancas vão criar alguma dificuldade
  • dissertação não é exatamente um gênero mas é a base de 90% dos gêneros que caem em provas
  • não precisa aprender 50 redações diferentes – não! -, basta dominar as 3 composições que existem!

Não bobeia não: guarda aí este artigo que você vai precisar – é o mais completo que existe (e vai ser atualizado cada vez que surgir um gênero novo).

(Este artigo foi extraído do escrevacertoblog, com autorização da professora Margareet Pulido)

CONTINUE TREINANDO DISSERTAÇÃO, POIS VOCÊ VAI PRECISAR!

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